O Lado Bom.

A cobra engole o veneno e fica com medo

No escuro só se ouvem sussurros

Vem o vento forte e ela sem blusa

Se o bem é contra o bem quem é do mal?

E se o mal é contra o mal pra quem torcer?

De qualquer jeito o mal vai vencer

E você meu amigo, com certeza vai perder

Pelo menos essa intriga te diverti.

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O Lado Bom.

A cobra engole o veneno e fica com medo

No escuro só se ouvem sussurros

Vem o vento forte e ela sem blusa

Se o bem é contra o bem quem é do mal?

E se o mal é contra o mal pra quem torcer?

De qualquer jeito o mal vai vencer

E você meu amigo, com certeza vai perder

Pelo menos essa intriga te diverti.

Agora falando com meu pai ele me fez refletir, o que é mais importante, ter mais acesos escrevendo o comum ou ter pouco escrevendo o que escreve? Como em “Um homem célebre”, morrer bem com sociedade – ou financeiramente – mas, mal consigo mesmo.

Agora falando com meu pai ele me fez refletir, o que é mais importante, ter mais acesos escrevendo o comum ou ter pouco escrevendo o que escreve? Como em “Um homem célebre”, morrer bem com sociedade – ou financeiramente – mas, mal consigo mesmo.

Incógnita’s…

Na vida muitas vezes não é a situação que é o problema mas, o que achamos que os outros vão achar.

Será que o que eu quero é por querer ou é só pra me achar melhor que os outros?

 

Um dia depois…

 

A dor do mundo nas minhas costas, o quão grande é a frustração de um homem?

Até onde a tua inveja te leva?

Estão criando mais um monstro lá fora.

Ciclo.

Eu tenho armas, espadas, escudos, armaduras, papel e caneta

E você é o alvo dessa vez pequeno parafuso

Você agora vive e persiste mas está confusa

agora tem que virar uma chave de fenda, não está mais hábil para uso

A pequena faca que corta também tá servindo pra apertar parafusos, fenda e philips e não ganha nem uma cuspida como lubrificada.

Você faquinha está ficando cega, com sua ponta já quebrada

Daqui um tempo não vai valer mais nada, está quase na hora de ser descartada, vai ser jogada no mato até um dia ser encontrada por um jovem, ou menino, ou bêbado ou um velho e será usada, terá valor novamente.

Ano.

Ano novo, ano igual, ano hoje, ano todo dia, ano que não lembro mais…

Ano feliz, ano triste, ano animado, ano sossegado, ano comigo, ano sozinho

Ano que gente nasceu, ano que gente não viu

Ano que cresceu, ano que envelheceu, ano que amadureceu

Ano que vem, ano que vai, ano passado, ano atrasado, ano esperado

Ano temido, ano de término, todo ano é começo

Ano de medo, ano de felicidade, ano de tristeza, ano de mistério

Ano de sonho, ano de acordar, ano de sorrir, ano de chorar

Ano curto, ano longo, ano simpático, ano igual

Ano de dia repetido, ano de dia novo, ano de início, ano de termino de namoro

Ano que escrevo, ano que leio, ano pra observar, ano viver

Ano que chegou, ano que morreu, ano de dia, ano de noite

Ano de inverno, ano de verão, ano de outono

Ano de dia, ano de semana, ano de mês, ano de bimestre, ano de trimestre, ano de semestre, ano de ano

Ano de medo, ano de coragem, ano de viver, ano que vier…

Dias sem…

Dias sem data, na verdade tinham, eu que não percebia…

Minha mãe estava em casa, fazia planos e limpava a casa, comia um picolé com ela, já era diferente, sentia falta do passado e queria voltar a vivê-los, um menino de 11 anos querendo voltar a ter 5.

Quanto mais crescemos, mais a vida fica complicada cheia de planos e obrigações, cheia de amores e mais complicações.

Talvez seja isso o que realmente persiga, voltar aos dias da mocidade, aos dias da primeira infância, não de um jeito doentio e maníaco mas sim aquele sossego que tinha, aquele sossego que tinha o dia todo…

O tempo não volta, até agora não voltou um dia sequer, nem uma palavra falada voltou mas sim sempre é lembrada.

Você tem que fazer sacrifícios pra chegar a tal comodidade, comodismo e tranquilidade mas, não importa o que tenha que sacrificar, ou o quanto de dinheiro eu ou qualquer um possa ganhar. Quem estava comigo não vai voltar, nem a velha casa, nem meu querido cão, nem meu pai, nem minha mãe, nem ninguém e um dia, nem eu.

Assim eram e são meus dias entre Natal e Ano Novo.

Então é Natal.

Os dias passados parecem distantes, mas se fechar bem os olhos ainda posso sentir a dor da fome e os desejos de criança. Ceia de natal não tinha, o que tinha era o arroz e feijão que nem posso dizer que comia todos os dias. Comia cedo com meus irmãos e íamos pra cama muitas vezes ainda com fome, escutava os fogos e de vez ou outra levantava na escuridão pra ver os fogos natalinos, em certa vez encontrei minha mãe encarando o brilho no céu chorando, me aproximei, ela secou suas lágrimas e acariciou meus cabelos, ficamos os dois sobe aquela luz de vela em homenagem ao menino Jesus, tornamos sem querer aquele hábito tradição.

Nossos vizinhos também não eram ricos, tinham seus problemas, álcool, drogas ou enfermidades, o nosso era a fome mesmo. Papai Noel nunca me trouxe naquela época minha a bicicleta, o videogame ou o tão sonhado rádio na adolescência. O que trazia eram roupas usadas, manchadas, furadas ou até mesmo remendadas, já descartadas de pessoas de mais poder aquisitivo mas, totalmente utilizadas e novas pra nós que não tínhamos muito.

Comi panetone apenas uma vez, já tinha onze anos, minha irmã tinha ganhado em uma cesta da empresa, à pobre chegou curvada pelo peso, os vizinhos da rua saiam as janelas ver ela com os olhos curiosos e mais curiosos foram meus olhares junto com os dos meus irmãos. Não tinha tanta coisa, mas o que tinha parecia algo maravilhoso e de outro mundo, de certa forma era…

Meus irmão foram crescendo e até os mais novos saíram de casa antes de mim, ficamos apenas, eu, minha mãe e o mais novinho, a ceia agora apesar de tímida existia a nós três, no almoço do dia 25 a casa lotava, meus irmãos vinham com seus parceiros e meus sobrinhos.

Deixei à casa de mamãe também, cresci, evolui, “o menino que deu certo e venceu as estatísticas”, voltei a casa dela com meu carro buscá-la e meu irmão menor que não quis de lá sair pois já estava totalmente entregue as drogas e bebidas, minha mãe só trouxe os documentos e a roupa do corpo, prometi a dar tudo novo, meses depois meu irmão veio me procurar e o internamos em uma clínica.

Hoje moro em um grande sobrado sem cercas no condomínio mais luxuoso da cidade, tenho um carro importado e uma moto de velocidade, no dia 24 a mesa é farta e a ceia é aqui em casa com todos meus irmãos, o menor já saiu da clínica e está no segundo ano da faculdade.

Quando a casa fica silenciosa e todos vão dormir fico na janela olhando os fogos da noite acompanhado de minha mãe sobe a luz de uma vela a homenagear o menino Jesus.